Redação | 07.08.2026
Quem costuma escolher azeite extravirgem para finalizar pratos, preparar receitas ou acompanhar pães precisa ficar atento. Laudos oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), elaborados no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF), apontaram divergências na classificação de lotes de algumas marcas comercializadas no mercado brasileiro e encontradas também em supermercados que atendem consumidores da Paraíba.
Segundo os documentos, produtos vendidos como azeite extravirgem foram classificados nas análises como azeite virgem. Em outros casos, os produtos foram identificados como azeite lampante, categoria que não é destinada ao consumo direto e precisa passar por refino antes de chegar à mesa.
Entre as marcas mencionadas nos laudos estão Andorinha, Gallo, Borges, Filippo Berio, Gomes da Costa e Carrefour. Os documentos também apontam produtos das marcas Costa D’Oro e Terras de Camões classificados como azeites lampantes.
Extravirgem, virgem ou lampante: qual é a diferença?
A classificação do azeite não é apenas uma questão de nomenclatura. Ela está relacionada a critérios químicos e sensoriais que determinam a qualidade e a categoria do produto.
O azeite extravirgem é considerado a categoria de maior qualidade entre os azeites de oliva virgens. Pelas normas brasileiras, deve apresentar acidez livre de até 0,8% e atender a critérios sensoriais específicos, sem defeitos que comprometam sua classificação.
Já o azeite virgem pode apresentar características diferentes, incluindo maior acidez e determinados atributos sensoriais que fazem com que não seja enquadrado como extravirgem.
A situação é diferente no caso do azeite lampante. Essa categoria não é destinada ao consumo direto e precisa ser submetida a processos de refino antes de ser comercializada para consumo.
O que isso representa para quem comprou?
Na prática, os resultados dos laudos levantam uma questão importante: o consumidor pode ter comprado e pago por um azeite classificado no rótulo como extravirgem, enquanto o lote analisado pelas autoridades apresentou características compatíveis com uma categoria inferior.
É importante, porém, fazer uma ressalva: os laudos citados na investigação dizem respeito aos lotes efetivamente analisados. Isso não significa, automaticamente, que todos os produtos ou todos os lotes das marcas mencionadas apresentem a mesma irregularidade.
Também não há, até o momento, uma determinação geral para que todas as marcas citadas sejam retiradas das prateleiras. A investigação está relacionada a uma ação judicial ainda em andamento.
Marcas se manifestam
O Carrefour informou que a reclassificação apontada nos documentos envolve lotes específicos e afirmou adotar medidas quando é comunicado pelas autoridades sobre possíveis irregularidades.
A Nauterra, responsável pela marca Gomes da Costa, informou que irá apurar as divergências apontadas pelo Ministério da Agricultura.
As demais empresas citadas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem que divulgou os resultados dos laudos.
Como o consumidor deve ficar atento?
Para quem tem azeite em casa, a recomendação é observar marca, lote, data de validade e categoria indicada no rótulo. Em casos de suspeita ou quando houver determinação oficial relacionada a um lote específico, o consumidor deve acompanhar as orientações dos órgãos responsáveis.
O caso também reforça a importância de olhar além da embalagem. Em um produto tão presente na gastronomia — seja para cozinhar, temperar saladas ou finalizar pratos — a classificação do azeite representa uma informação importante para a escolha do consumidor.
A investigação segue em andamento, e eventuais novas determinações ou esclarecimentos das autoridades e das empresas envolvidas poderão alterar o cenário.

